
A Casas Bahia passa a ter um novo controlador. A gestora Mapa Capital, por meio de sua subsidiária Domus VII Participações, converteu cerca de R$ 1,5 bilhão em debêntures em ações ordinárias da varejista, resultando na posse de aproximadamente 85,5% do capital social da empresa. A operação representa um marco determinante dentro do plano de transformação da companhia.
A conversão de dívidas acionáveis já estava prevista no plano de recuperação extrajudicial apresentado em 2024, quando a companhia enfrentava compromissos financeiros desafiadores. A medida foi formalizada por meio da emissão de mais de 558 milhões de ações a R$ 2,95 cada, representando uma significativa diluição da participação dos acionistas anteriores.
Com essa mudança acionária, a dívida bruta foi reduzida para cerca de R$ 2,9 bilhões, enquanto o índice dívida líquida/EBITDA caiu de 1,6 para aproximadamente 0,8 — uma melhora substancial na estrutura financeira da empresa. Isso significa uma economia estimada em cerca de R$ 230 milhões por ano em despesas com juros, proporcionando mais fôlego para investimentos e operações.
A Mapa Capital detém agora um papel decisivo na governança da companhia. Está prevista a ampliação do Conselho de Administração para sete membros, com três cadeiras designadas pela gestora. Renato Carvalho permanece como chairman, enquanto a nova composição também garante continuidade institucional.
Diretores da empresa afirmaram que os minoritários já estavam cientes da diluição, prevista no cronograma de reestruturação — o que ocorreu foi apenas uma antecipação do processo. Ainda assim, é inegável que esse movimento reforça a estabilidade financeira e operacional, beneficiando a recuperação do fluxo de caixa e possibilitando maior capacidade de negociação com fornecedores e acesso a crédito.
A Mapa, por sua vez, adotou uma estratégia de permanência ao deixar claro seu compromisso com o longo prazo. Optou por um período de “lock-up” de 16 meses, com liberação gradual de venda condicionada a metas específicas — reforçando a visão de construção de valor sustentável na companhia.