
O mercado de viagens registrou um resultado histórico nos primeiros cinco meses deste ano. A receita deixada por turistas estrangeiros no país atingiu a marca inédita de R$ 25 bilhões.
O valor representa uma alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Banco Central analisados pelo Ministério do Turismo. É o maior montante já contabilizado para o intervalo na série histórica.
Curiosamente, o total de visitantes que desembarcaram no país permaneceu praticamente estável. Esse cenário mostra que os viajantes estão gastando mais dinheiro durante a sua permanência no território nacional.
A origem e os canais de entrada dos viajantes
As estatísticas oficiais coletadas nos postos de fronteira mostram com clareza quem são os visitantes e quais vias eles utilizam para entrar. A maioria das chegadas ocorre por rotas aéreos e terrestres bem definidas.
A base de dados da Embratur considera como turista o visitante não residente que passa pelo menos uma noite no país. O levantamento mapeia a origem e o estado de entrada, embora não acompanhe os trajetos internos.
Os vizinhos sul-americanos lideram o volume de desembarques, seguidos de perto pelos viajantes da América do Norte. As formas de acesso variam bastante conforme o país de origem de cada grupo.
Volume de chegadas por país de origem
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Argentina: 1.912.095 visitantes
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Chile: 421.354 visitantes
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Estados Unidos: 338.010 visitantes
Perfil dos fluxos de entrada
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Argentinos: entram principalmente pelas fronteiras terrestres do Sul e por voos para o Rio de Janeiro e São Paulo.
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Norte-americanos: concentram suas chegadas quase totalmente pela via aérea, utilizando os aeroportos paulistas e cariocas.
Fatores que impulsionam o consumo no país
A cotação do câmbio atua como um forte atrativo para colocar o país na lista de escolhas dos viajantes internacionais. Isso vale especialmente para quem vem de países do Hemisfério Norte.
Para esses viajantes, o custo de uma viagem de longa distância para o território brasileiro equivale ao de um roteiro curto em seus continentes de origem. O fator econômico aumenta a competitividade do destino.
Especialistas da FGV Projetos destacam que o câmbio favorável atrai o visitante, mas não garante o gasto elevado por si só. A expansão das despesas depende diretamente das opções de lazer oferecidas ao longo da estadia.
Mudança no comportamento e rotas mais longas
Agências de viagens identificaram uma transformação importante no perfil de consumo dos visitantes. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo os principais portões de entrada, mas já não são o destino final.
A tendência atual mostra um prolongamento proposital do tempo de viagem. Em vez de ficarem restritos às grandes metrópoles, os estrangeiros estão buscando novas experiências no interior e no litoral.
Extensões de roteiros para municípios localizados a poucas horas das capitais estão crescendo em vendas. Lugares históricos, áreas de ecoturismo e praias menores passaram a capturar uma fatia maior desse orçamento, distribuindo melhor os recursos pelo país.