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Foto: Reuters/Carlos Barria

A recente medida do governo dos Estados Unidos, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, estabelecendo uma tarifa de 50% sobre centenas de produtos importados, gerou preocupações imediatas entre empresas brasileiras. No entanto, cerca de 43% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano foram isentas da nova tarifa, conforme revelou a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio).

Essa salvaguarda parcial foi recebida como um alívio por diversos setores estratégicos da economia brasileira, que dependem fortemente do mercado americano.

Quais produtos brasileiros foram isentos da nova tarifa?

Segundo a Amcham, 694 produtos brasileiros foram poupados da sobretaxa. A lista inclui bens considerados essenciais para os Estados Unidos, como:

  • Suco de laranja e polpa cítrica – O Brasil é líder na exportação desses itens, especialmente para a Flórida, onde há forte demanda e consumo.
  • Petróleo bruto – Um dos carros-chefes da balança comercial com os EUA, o petróleo brasileiro continua isento da medida.
  • Aeronaves e peças da Embraer – As exportações da indústria aeronáutica brasileira, com grande presença nos Estados Unidos, permanecem protegidas.
  • Produtos florestais como celulose e madeiras tropicais – Importantes para setores industriais e de construção americanos.

De acordo com dados da entidade, esses produtos representaram mais de US$ 18 bilhões em exportações brasileiras para os EUA em 2024, o que equivale a 43% do total comercializado com os norte-americanos naquele ano.

Setores ainda afetados pela tarifa

Apesar das isenções, muitos segmentos continuam sob forte risco. Entre os principais atingidos estão:

  • Carnes bovinas e suínas
  • Café e cacau
  • Frutas frescas
  • Produtos químicos e resinas

Essas áreas já começaram a sentir os efeitos da medida. Exportadores do setor químico, por exemplo, relataram cancelamentos imediatos de pedidos, provocando insegurança no planejamento logístico e comercial.

Impactos logísticos imediatos

No setor de energia, a incerteza quanto à aplicação da tarifa causou a suspensão temporária de embarques de petróleo rumo aos EUA. Com a confirmação das isenções, os envios foram retomados, mas o episódio evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimento diante de medidas protecionistas repentinas.

Amcham pede negociação urgente

Em nota oficial, a Amcham Brasil destacou que a medida cria um “precedente perigoso para o comércio bilateral” e pediu ao governo brasileiro uma atuação diplomática urgente. A entidade defende a abertura de negociações com os Estados Unidos para revisar o decreto e ampliar a lista de isenções.

Riscos e estratégias para o Brasil

Embora a exclusão de 43% das exportações traga certo alívio, o restante do comércio bilateral continua vulnerável. O governo brasileiro avalia ações compensatórias, como linhas de crédito emergenciais para exportadores afetados e ampliação de acordos comerciais com outros países, a fim de reduzir a dependência do mercado americano.

Também há expectativa de que o Brasil leve o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso a sobretaxa seja considerada desproporcional ou discriminatória.

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