Técnicos mais indisciplinados do futebol brasileiro: o impacto dos cartões no desempenho e na longevidade

Reclamar da arbitragem traz algum benefício prático ao time? Um levantamento do Bolavip Brasil analisou dados dos últimos cinco anos para responder a essa pergunta.

O estudo comparou o número de cartões com o desempenho dos técnicos mais indisciplinados do futebol brasileiro e dos mais tranquilos na beira do gramado.

A pesquisa revelou que os profissionais do grupo com mais punições apresentam maior média de jogos no comando do que os mais disciplinados. A proporção é de 158 partidas contra 142.

No entanto, em relação ao aproveitamento de pontos, o rendimento dos dois lados é equivalente. A média fica em 1,59 ponto por jogo para os mais combativos e 1,57 para o grupo de postura mais calma.

O fator Abel Ferreira no ranking de longevidade

A principal explicação para a vantagem dos indisciplinados na permanência e pontuação é a presença de Abel Ferreira, do Palmeiras. O treinador português lidera em número de jogos e em aproveitamento no período analisado.

Conhecido por suas críticas recorrentes à arbitragem e pelo perfil intenso, o comandante palmeirense acumula 76 cartões ao longo de 332 partidas.

Ao isolar os números de Abel da amostragem, os dois grupos chegam ao equilíbrio. A média de jogos passa para 139 a 142, enquanto o aproveitamento fica em 1,54 contra 1,57 ponto por partida.

Detalhes sobre o levantamento de dados

Obs: Levantamento considera jogos do Campeonato Carioca, Paulista, Gaúcho, Mineiro, Brasileiro Série A, Brasileiro Série B, Copa do Brasil e todas as competições internacionais oficiais disputadas entre 1º de janeiro de 2022 até o dia 4 de agosto de 2026.

Quem lidera a média proporcional de cartões?

Embora Abel Ferreira tenha a maior quantidade absoluta de punições, a proporção por partida coloca outro profissional no topo da lista.

A liderança de cartões por jogo pertence a António Oliveira, com passagens por Cuiabá, Coritiba, Corinthians, Sport e Remo. O técnico recebe um cartão a cada 3,03 confrontos.

O terceiro lugar da lista fica com o argentino Luis Zubeldía, ex-São Paulo e Fluminense, que registra uma média de uma advertência a cada 3,33 jogos.

A relação do treinador com a torcida e a arbitragem

Ainda que a estatística não prove que reclamações garantem estabilidade no cargo, a atitude ostensiva costuma ser valorizada pelas arquibancadas.

Além de agradar aos torcedores, essa postura busca exercer pressão sobre as decisões da equipe de arbitragem no decorrer das partidas.

— Acho que esse comportamento ajuda a criar em vários treinadores uma identificação com o torcedor. Como se ele fosse uma figura que defendesse as cores e a honra do clube. Existe a percepção dos profissionais de que é necessário você ter esse comportamento para ser plenamente aceito e pertencente ao grupo de pessoas daquele clube — avalia Rodrigo Coutinho, comentarista dos canais Sportv.

— Acho que esse tipo de comportamento do treinador (que o leva a ser punido com cartão) muitas vezes é pensado, até performático para fazer pressão a um juiz no próximo lance ou ser aceito pela torcida de uma forma mais fácil — avalia Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo.

Exemplos no grupo dos mais disciplinados

No lado oposto, Filipe Luís surge como a principal referência de autocontrole no banco de reservas. Ele acumula apenas um cartão em 108 partidas.

Com conquistas pelo Flamengo, o treinador sustenta o segundo melhor aproveitamento de pontos do estudo (2,01 por jogo), ficando atrás somente de Abel Ferreira. Os dois possuem rendimentos semelhantes, mas índices de advertências totalmente inversos.

Outros destaques entre os mais disciplinados são Léo Condé, com média de uma punição a cada 57 partidas, e Vágner Mancini, que é advertido uma vez a cada 44,2 jogos.

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