Sérvia e Suécia seguem País de Gales e rejeitam reeleição de Infantino

O dirigente Gianni Infantino enfrenta um dos momentos mais delicados desde que assumiu o comando da entidade máxima do futebol. As federações nacionais de Sérvia, Suécia e País de Gales retiraram oficialmente o apoio à sua candidatura de reeleição nesta segunda-feira.

A onda de rejeição ganhou força após o colapso de uma proposta polêmica apresentada pelo executivo. A tendência é que a Federação Inglesa de Futebol siga o mesmo caminho e formalize o desembarque do projeto político nos próximos dias.

A insatisfação generalizada no continente europeu enfraquece a posição do dirigente suíço. O movimento coloca em dúvida a estabilidade do seu projeto de poder para os próximos anos dentro da instituição.

O plano financeiro que causou a ruptura

A crise explodiu após a tentativa de vender uma fatia dos direitos de competições globais para investidores privados. A proposta visava criar uma nova empresa para gerir os torneios organizados pela instituição.

O projeto previa a comercialização de cerca de 20% dessa nova estrutura comercial. No entanto, a forte resistência de clubes, ligas e confederações forçou o cancelamento definitivo da ideia na última sexta-feira.

O fracasso da negociação abriu espaço para questionamentos sobre a capacidade de gestão do atual presidente. A reação de rejeição foi imediata entre as entidades que exigem maior transparência nas decisões estratégicas.

Dados da proposta comercial rejeitada

  • Projeção de arrecadação pretendida: até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 24,8 bilhões)

  • Participação oferecida a investidores: aproximadamente 20% de uma nova empresa gestora

  • Principais afetados pelo projeto: direitos comerciais e de organização da Copa do Mundo

  • Período do mandato pleiteado pelo dirigente: 2027 a 2031

Reação oficial das federações europeias

O País de Gales liderou a contestação pública ao anunciar o rompimento formal através de uma nota contundente. A entidade galesa declarou que o presidente perdeu a capacidade e a confiança necessárias para guiar o esporte global.

Problemas de governança, falhas de comunicação e falta de bom senso foram apontados como os motivos centrais para o fim da aliança. As críticas atingiram diretamente a postura centralizadora adotada pela diretoria.

Paralelamente, a Uefa e a Concacaf também manifestaram perda de confiança no trabalho desenvolvido. A entidade europeia enviou uma ordem de preservação de documentos para impedir a eliminação de arquivos digitais e e-mails corporativos.

O futuro da eleição presidencial

Presidente desde 2016, quando substituiu Sepp Blatter, o atual mandatário já foi reeleito em duas oportunidades sem enfrentar opositores. Ele pretendia renovar sua permanência até o ano de 2031.

Antes vista como um procedimento simples, a renovação do mandato agora enfrenta forte resistência política. Especialistas apontam que a insatisfação interna pode gerar um cenário inédito de disputa na corrida eleitoral.

O próximo Congresso da entidade está agendado para março, no Marrocos, onde as novas alianças serão testadas. Até lá, a pressão sobre o comando da instituição deve continuar aumentando.

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